O CORPO DE DOR: como identificar e transformar padrões inconscientes

Foto artística de uma pessoa com os olhos fechados, coberta por tinta fluorescente em cores vibrantes sob luz negra, simbolizando a consciência do corpo, a energia emocional e os traços invisíveis da dor transformada em presença.

Em nosso caminho de autoconhecimento, há uma parte de nós que insiste em manter viva a dor — mesmo quando já não faz mais sentido. Eckhart Tolle chamou essa parte de “corpo de dor”, uma estrutura psíquica que se alimenta de emoções negativas e pensamentos repetitivos. Todos carregamos esse corpo de dor em algum grau — e quanto mais inconscientes estivermos, mais ele nos domina.

Compartilho aqui trechos extraídos do livro Um Novo Mundo – O Despertar de uma Nova Consciência, de Eckhart Tolle. Mas não trago aqui como citação apenas: convido você a ler com presença, refletir comigo e observar onde esse conteúdo ressoa na sua própria experiência. Eu mesmo já me vi agindo sob o domínio do corpo de dor — e continuo praticando formas de reconhecer e transformar essa energia.

O Corpo de Dor e a Mente que Nos Possui

“No caso da maioria das pessoas, quase todos os pensamentos costumam ser involuntários, automáticos e repetitivos. Não são mais do que uma espécie de estática mental e não satisfazem nenhum propósito verdadeiro. Num sentido estrito, não pensamos — o pensamento acontece em nós.

‘Eu penso’ é uma afirmação simplesmente tão falsa quanto ‘eu faço a digestão’ ou ‘eu faço meu sangue circular’. A digestão acontece, a circulação acontece, o pensamento acontece. A voz na nossa cabeça tem vida própria. A maioria de nós está à mercê dela; as pessoas vivem possuídas pelo pensamento, pela mente. E, uma vez que a mente é condicionada pelo passado, então somos forçados a reinterpretá-lo sem parar.” — Eckhart Tolle

Comentário:
Esse trecho expõe uma das maiores armadilhas da consciência moderna: acreditarmos que somos nossos pensamentos. Tolle nos convida a perceber que boa parte do conteúdo mental que carregamos nem é nosso — é repetição inconsciente, herança ancestral, formas-pensamento coletivas que atuam como ruído de fundo.

Na astrologia cármica, chamamos isso de condicionamento inconsciente ligado ao Nodo Sul, aos planetas retrógrados ou a padrões lunares não trabalhados. E na espiritualidade, reconhecemos essa “possessão pelo pensamento” como um dos principais obstáculos à escuta do Eu Superior.


“O que é uma emoção negativa? É aquela que é tóxica para o corpo e interfere no seu equilíbrio e funcionamento harmonioso. Medo, ansiedade, raiva, ressentimento, tristeza, rancor ou desgosto intenso, ciúme, inveja — tudo isso perturba o fluxo da energia pelo corpo, afeta o coração, o sistema imunológico, a digestão, a produção de hormônios, e assim por diante.

Até mesmo a medicina tradicional, que ainda sabe muito pouco sobre como o ego funciona, está começando a reconhecer a ligação entre os estados emocionais negativos e as doenças físicas. Uma emoção que prejudica nosso corpo também contamina as pessoas com quem temos contato e, indiretamente, por um processo de reação em cadeia, um incontável número de indivíduos com quem nunca nos encontramos.

Existe um termo genérico para todas as emoções negativas: infelicidade. Por causa da tendência humana de perpetuar emoções antigas, quase todo mundo carrega no seu campo energético um acúmulo de antigas dores emocionais, que chamamos de ‘corpo de dor’.” — Eckhart Tolle

Comentário:
Tolle descreve aqui, com clareza cirúrgica, aquilo que tantas tradições espirituais já sabiam há milênios: as emoções mal digeridas adoecem o corpo e poluem o campo energético. Esse "corpo de dor" não é apenas um conceito psicológico — ele é um aglomerado vibracional real, que habita a aura e influencia nossas reações, escolhas e relacionamentos.

Cada vez que cultivamos medo, ressentimento ou autopiedade, reforçamos essa estrutura. E cada vez que escolhemos respirar, acolher e transformar, damos um passo na direção da cura.

O corpo de dor e sua fome por pensamentos negativos

“O ‘corpo de dor’ não consegue digerir um pensamento feliz. Ele só tem capacidade para consumir os pensamentos negativos porque apenas esses são compatíveis com seu próprio campo de energia. Não é que sejamos incapazes de deter o turbilhão de pensamentos negativos — o mais provável é que nos falte vontade de interromper seu curso.

Isso acontece porque, nesse ponto, o ‘corpo de dor’ está vivendo por nosso intermédio, fingindo ser nós. E, para ele, a dor é prazer. Ele devora ansiosamente todos os pensamentos negativos.

Nos relacionamentos íntimos, os ‘corpos de dor’ costumam ser espertos o bastante para permanecer discretos até que as duas pessoas comecem a viver juntas e, de preferência, assinem um contrato comprometendo-se a ficar unidas pelo resto da vida. Nós não nos casamos apenas com uma mulher ou com um homem, também nos casamos com o ‘corpo de dor’ dessa pessoa.

Pode ser um verdadeiro choque quando — talvez não muito tempo depois de começarmos a viver sob o mesmo teto ou após a lua-de-mel — vemos que nosso parceiro ou nossa parceira está exibindo uma personalidade totalmente diferente. Sua voz se torna mais áspera ou aguda quando nos acusa, nos culpa ou grita conosco, em geral por uma questão de menor importância.” — Eckhart Tolle

Comentário:
Esse trecho revela algo muito real: o corpo de dor se alimenta da dor — e mais do que isso, cria situações para manter esse ciclo vivo. Pensamentos felizes, curativos ou expansivos simplesmente não vibram na mesma frequência, e por isso são rejeitados. Em muitos casos, não é que a pessoa "não consiga mudar", mas sim que uma parte dela — inconsciente e viciante — não quer.

Nos relacionamentos íntimos, essa dinâmica se intensifica. É justamente na convivência que os gatilhos emocionais mais profundos vêm à tona. Por isso, tantas pessoas se assustam com as mudanças de comportamento que ocorrem após o casamento, após a união formal ou o início da convivência. Não é que a pessoa se tornou “outra”, mas o corpo de dor dela ganhou espaço, liberdade e cenário para se expressar. Como Tolle diz, não nos unimos apenas à pessoa — nos unimos também ao seu corpo de dor.

A tomada de consciência é o primeiro passo. Só conseguimos interromper esse ciclo quando conseguimos enxergá-lo — e nomeá-lo — com presença.

Libertação: reconhecer, desidentificar, transmutar

“A essa altura, podemos nos perguntar se essa é a verdadeira face daquela pessoa — a que nunca tínhamos visto antes — e se cometemos um grande erro quando a escolhemos como companheira. Na realidade, essa não é sua face genuína, apenas o ‘corpo de dor’ que assumiu temporariamente o controle. Seria difícil encontrar um parceiro ou uma parceira que não carregasse um ‘corpo de dor’; no entanto, seria sensato escolher alguém que não tivesse um ‘corpo de dor’ tão denso.

O começo da nossa libertação do ‘corpo de dor’ está primeiramente na compreensão de que o temos. É nossa presença consciente que rompe a identificação com o ‘corpo de dor’. Quando não nos identificamos mais com ele, o ‘corpo de dor’ torna-se incapaz de controlar nossos pensamentos e, assim, não consegue se renovar, pois deixa de se alimentar deles.

Na maioria dos casos, ele não se dissipa imediatamente. No entanto, assim que desfazemos sua ligação com nosso pensamento, ele começa a perder energia. A energia que estava presa no ‘corpo de dor’ muda sua frequência vibracional e é convertida em ‘presença’.” — Eckhart Tolle

Comentário:
Esse é o ponto de virada: o momento em que nos reconhecemos além da dor, além do padrão, além da repetição. É aí que começa a transmutação — não mágica, mas vibracional. O corpo de dor se alimenta da nossa identificação inconsciente com ele. Quando passamos a observá-lo com lucidez, ele perde força.

Na prática, isso significa desenvolver presença. Meditação, silêncio, respiração consciente, auto-observação, escrita terapêutica, florais, rituais de reconexão com a alma... tudo o que favorece o estado de presença contribui para a dissolução do corpo de dor. Ele não desaparece de um dia para o outro, mas deixa de nos possuir.

Presença é o contrário da repetição cega. É o portal da liberdade real.

O que podemos fazer

1. Você não é seus pensamentos. Você é a consciência por trás dos pensamentos. Pensamentos costumam ser negativos e dolorosos, ansiando e temendo algo no futuro, queixando-se sobre algo no presente ou revendo uma questão do passado. No entanto, os pensamentos não são você; eles são uma construção do ego. A consciência de seus pensamentos é o primeiro passo para a liberdade.

2. Apenas o momento presente existe. Que é onde a vida é (na verdade é o único lugar onde a vida pode verdadeiramente pode ser encontrada). Tornar-se consciente do “agora” tem o benefício adicionado que chamará a sua atenção longe de seus pensamentos (negativos). Aprecie agora plenamente seu mundo externo e tudo o que você está enfrentando. Olhar e ouvir atentamente. Dar atenção aos pequenos detalhes.

3. Aceitar o momento presente. É a resistência ao momento presente que cria a maioria das dificuldades em nossa vida. No entanto, a aceitação não significa que você não pode tomar medidas para regularizar a situação em que você está. O importante é a resistência à queda, para que você seja o momento, e que qualquer ação surge da consciência mais profunda e não de resistências. A grande maioria da dor na vida de uma pessoa vem de resistência ao que é.

4. Observe o corpo de dor emocional. Anos de padrões de pensamento condicionado, individualmente e coletivamente, resultaram em reações emocionais habituais com uma aparente personalidade própria, cheias de calor e razão aparente. Atacamos porque nos sentimos atacados. Durante “ataques de dor emocional”, podemos tornar-nos completamente identificados com essa identidade de “dor” e responder a partir de sua agenda – o que é criar mais dor para nós mesmos e outros. 

5. Florais, terapias, retiros, orações, meditação, Reiki... precisamos nos tratar continuamente. O autoconhecimento não é um evento isolado — é um caminho de presença constante.

Observar o corpo de dor com honestidade e sem julgamento é o que nos permite romper a identificação inconsciente com ele. Quando reconhecemos esse padrão agindo — especialmente em momentos de dor, constrangimento ou reatividade — já começamos a enfraquecer sua influência. 

O corpo de dor pode até tentar nos dominar de forma súbita, mas ele pode ser reconhecido e transformado. Esse é o trabalho: consciência aplicada à própria experiência.

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4 Comentários

Os comentários são o maior estímulo pra este trabalho. Obrigado!

  1. Fiquei admirada de não ver nenhum comentário para um texto tão excepcional meu querido Marcelo!
    Amei....
    Beijos
    Astrid Annabelle

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  2. Maravilhoso texto amei ler!

    Grata por postar!
    Abraço

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  3. Gratissimo, Astrid e Eliana!!!!
    Este texto é mesmo esclarecedor!
    As pessoas não comentam mais por aqui. Só no Facebook (já me acostumei com isso). Salvo amigos gentis e generosos como vcs!!!
    grande bjo

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  4. Li o o livro há alguns anos e achei fantástico! Magnifico post! A propósito, já reparei que ninguém vai directamente aos blogs comentar. Parece que os blogs estão em vias de extinção.

    beijos

    Magda

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