
Muitas vezes, nem percebemos que o ego está no comando. Ele se manifesta na busca incessante por ser o melhor, ter mais do que os outros, acumular reconhecimento e poder. No fundo, essa postura está enraizada no instinto de sobrevivência, herdado de tempos em que competir significava viver. Mas, num plano mais profundo, o ego se alimenta da ilusão da separação: a ideia de que estamos isolados, de que o outro é uma ameaça ou um adversário.
Sob a luz da consciência, percebemos que essa é apenas uma narrativa limitante. Numa perspectiva mais elevada, estamos todos interligados, fazendo parte de uma mesma teia de vida. A filosofia budista reconhece o ego como um dos grandes obstáculos à liberdade interior, mas também lembra que ele tem uma função no processo de individuação. O caminho não é destruí-lo, mas colocá-lo em seu devido lugar — como um instrumento a serviço da alma, e não como seu senhor. Afinal, somos muito mais do que a mente que pensa e o “eu” que se defende.
Ao compreender essas armadilhas, abrimos espaço para cultivar mais leveza, liberdade e autenticidade. Esses 8 passos não eliminam o ego, não se trata disso. A questão é colocá-lo no lugar certo, permitindo que nossa verdadeira essência conduza a vida.1. Não entregue seu poder às ofensas
A ofensa só existe quando damos a ela poder dentro de nós. É claro que há níveis de gravidade — casos como calúnia, difamação ou ataques concretos devem ser tratados com firmeza e, se necessário, denunciados na justiça. Mas aqui falamos de algo mais sutil: a reação emocional que nos desestabiliza.Quando alguém nos ofende, é preciso que o nosso ego esteja “disponível” para se sentir ofendido. Sem essa prontidão interna, as palavras ou atitudes do outro não encontram onde se fixar. Quando permitimos que outra pessoa nos tire do eixo, estamos, na prática, entregando nosso poder a ela.
Se você procurar motivos para se irritar ou magoar, encontrará aos montes — é o ego no comando, convencendo que o mundo deveria ser diferente do que é. Escolher o papel de observador é perceber que nem tudo precisa ser tomado como algo pessoal. Essa postura preserva sua energia e rompe o ciclo de reação, evitando que você alimente a mesma carga negativa que o feriu. Ao invés de reagir automaticamente, respire, observe e solte. Assim, o ego perde força e você mantém o controle sobre si.
2. Troque a competição pela cooperação
O ego adora transformar tudo em disputa, classificando pessoas entre ganhadores e perdedores. É impossível vencer sempre. Haverá sempre alguém mais rápido, mais sortudo, mais jovem, mais experiente ou mais forte — e, se você medir seu valor apenas por resultados, acabará se sentindo menor diante dos outros.Você não é apenas o conjunto das suas conquistas. Não há perdedores num mundo onde todos compartilham a mesma fonte de energia e aprendizado. O que existe são momentos: em determinado dia, sua atuação esteve num certo nível em comparação a outras pessoas e circunstâncias específicas. Amanhã, tudo será diferente — novos desafios, outros competidores, variáveis inéditas.
O amadurecimento vem quando você percebe que é muito mais que a soma de troféus ou títulos. Você é presença, consciência e potencial, em um corpo que muda com o tempo, mas cuja essência permanece. Assuma o papel de observador: participe, dê o seu melhor e aprecie o processo, sem precisar provar que é o “número um”. Paradoxalmente, quanto menos você se apega à ideia de vencer a qualquer custo, mais vitórias genuínas acabam surgindo no caminho.
3. Abra espaço para o diálogo, não para a disputa
O ego é a raiz de muitos conflitos porque o impulsiona a julgar e a provar que o outro está errado. Quando alguém reage com hostilidade, geralmente está desconectado do seu centro, do poder da intenção. O Espírito de Criação é generoso, amoroso e receptivo — livre de raiva, ressentimento ou amargura.Abrir mão da necessidade de ter razão é como dizer ao ego: “Não sou seu escravo. Quero escolher a generosidade e a escuta.” Muitas relações se desfazem porque uma das partes prefere vencer o argumento a preservar o vínculo.
Quando estiver no meio de uma discussão, pergunte a si mesmo: “Quero estar certo ou ser feliz?” Ao optar pela felicidade e pela conexão, você fortalece seu alinhamento espiritual. E é nesse estado que a vida conspira a favor, abrindo caminhos para experiências mais criativas e construtivas.
4. Cultive a humildade como caminho de crescimento
A verdadeira grandeza não está em se comparar ou tentar superar os outros, mas em superar a si mesmo — suas limitações, padrões e versões antigas. O foco deve estar no próprio crescimento, não em medir valor com base em conquistas, aparência ou status. Comparações alimentam o ego e reforçam a ideia ilusória de separação.Quando nos percebemos como parte da mesma fonte de vida, reconhecemos que cada pessoa está no seu próprio processo de aprendizado e expressão. Essa visão dissolve a arrogância e abre espaço para a empatia e a colaboração.
5. Liberte-se da compulsão por acumular
O ego opera no modo “nunca é suficiente”. Ele mantém você em um estado constante de busca, como se a felicidade estivesse sempre um passo adiante. Por mais que se conquiste, o contentamento não chega — porque o próprio ego se alimenta da sensação de falta.Essa sensação de carência é um ponto central. Na astrologia, ela se relaciona especialmente com a Lua (necessidades emocionais) e Vênus (valores e prazeres), mas também com a Casa 2, que fala de segurança material e autoestima. O signo de Câncer, por exemplo, pode acumular por apego afetivo ou pela memória inconsciente de privações passadas, carregando objetos, recursos ou pessoas como se garantissem proteção.
6. Não se defina apenas pelo que realiza
Vivemos em uma cultura que mede o valor das pessoas por aquilo que elas produzem, conquistam ou exibem como currículo. O ego adora essa lógica, pois ela alimenta o orgulho e a necessidade constante de provar algo para si e para os outros. Mas, numa visão mais ampla, nossas realizações não surgem do nada — elas são o resultado de uma rede de influências, talentos inatos e sincronicidades que nos conectam à Fonte criadora.Na astrologia, esse apego à identidade construída sobre feitos pode se manifestar em posições fortes no Meio do Céu (MC), na Casa 10 ou em aspectos de Sol, Saturno e Marte que enfatizam ambição, impulso de conquista e reconhecimento. Quando o foco se torna apenas “o que eu faço” ou “o que conquistei”, corre-se o risco de perder o contato com “quem eu sou” em essência.
Reconhecer que você é mais do que sua biografia profissional ou suas vitórias é libertador. As habilidades que você manifesta são instrumentos da vida para se expressar através de você. Ao ver-se como parte dessa força maior — e não como seu único autor —, abre-se espaço para criar com mais leveza, sem medo de errar ou necessidade de provar valor.
7. Libere o peso de manter uma imagem
Reputação é apenas a soma das percepções que os outros formam sobre você — e cada pessoa enxerga a partir de filtros próprios, experiências e projeções. Isso significa que, ao falar para 30 pessoas, você será “30 versões diferentes” na mente de cada uma. Nenhuma delas é totalmente verdadeira, e nenhuma está sob seu controle.Na astrologia, essa preocupação excessiva com a imagem pode estar ligada a um Sol ou Ascendente em signos que valorizam fortemente o prestígio social, ou a uma Casa 10 muito ativa, que tende a buscar reconhecimento público. Quando a energia da Casa 10 ou do Meio do Céu é vivida apenas no campo externo, a pessoa corre o risco de se tornar refém da aprovação alheia.
A liberdade vem quando você direciona suas escolhas pela voz interior, e não pela expectativa externa. O propósito real não é “parecer” bem, mas ser fiel ao que é verdadeiro para você. O ego busca provar poder e importância; o espírito busca expressar autenticidade.
8. Desapegue-se de crenças e dogmas
O apego a crenças fixas e visões de mundo rígidas é um dos terrenos mais férteis para o ego. Quando sentimos que nossas ideias ou valores estão sendo ameaçados, a reação automática costuma ser atacar, defender e rejeitar qualquer possibilidade de mudança. Mas a verdadeira força espiritual está na capacidade de ouvir, questionar e se abrir ao novo.Manter a mente aberta não significa abandonar tudo em que se acredita, mas reconhecer que o conhecimento é dinâmico e que sempre há algo a aprender. Muitas vezes, o ego se esconde atrás de dogmas para evitar a insegurança do desconhecido. Ao flexibilizar a visão, a vida ganha novas cores e possibilidades.
Na astrologia, posições tensas entre Júpiter e Saturno, ou aspectos com Netuno, podem indicar justamente o desafio de equilibrar fé, razão e discernimento. O signo de Sagitário e a Casa 9 também falam de crenças, filosofia de vida e abertura para novos horizontes. O trabalho consciente é cultivar uma fé viva, que evolui com a experiência, e não se transformar em prisioneiro das próprias verdades.
Conclusão
Falar é fácil, mas viver esses princípios é uma prática diária. O ego não se dissolve de uma hora para outra — ele se apresenta em diferentes situações, às vezes de forma sutil, às vezes escancarada. A caminhada é constante e acontece um passo de cada vez, na forma como reagimos, nos posicionamos e escolhemos agir diante da vida.Por isso o autoconhecimento é tão importante: ele nos dá clareza sobre nossos padrões e nos ajuda a sair do piloto automático — esse modo robotizado e automatizado de viver que repete reações e alimenta os mesmos conflitos. Ao nos tornarmos mais conscientes, percebemos quando o ego assume o comando e podemos escolher respostas mais alinhadas à nossa essência.
A astrologia, nesse sentido, é uma poderosa aliada. Ao conhecer nosso mapa natal, entendemos onde estão nossos pontos de apego, onde o ego tende a dominar e quais são os recursos internos que podemos acionar para equilibrar essas forças.
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Lindo Post Marcelo!!
ResponderExcluirExcelente post, Marcelo e tão doloroso. Lemos aquilo que precisamos aprender.
ResponderExcluirBoa semana.
Sem dúvida excelente post Marcelo. adorei ler...existe tanto para aprender e reaprender.....
ResponderExcluirBeijão
Astrid Annabelle
Mais um...apenas para dizer que fiquei aqui curtindo a música.....gostei.....mais beijos!
ResponderExcluirAstrid Annabelle
Tudo de melhor que poderia ler neste dia! Obrigada Dala! Otima semana meu querido.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirOla Marcelo, visitei teu site atraves do blog da Astrid Annabelle. Gostei muito.
ResponderExcluirTambem gostei da "arte final" do blog (se quiser me ensinar aceito) ficou excelente.
Abraços.
Marcelo, acho que eu nunca li algo tão sensato... É tudo o que eu acredito, que aprendi a duras quedas. Mas a vida é isso mesmo, como vc mesmo me disse aí atrás, um aprendizado.
ResponderExcluirAdorei... Não tem um link pra colocar no FB? Eu queria colocar no meu mural.
O último parágrafo eu copiei algumas coisas e gostaria de colocar lá no FB, com os devidos créditos. Vc me autoriza? Vou esperar sua resposta.
Beijos.
Muito bom Marcelo!!!! Beijos
ResponderExcluirGrato, Bruno! Seja sempre bem vindo!!!
ResponderExcluirabraço
Anotnio, nem me diga!!!! Taí um texto pra ser lido e relembrado a todo instante.
ResponderExcluirrsrsrsrsrs
abraço!
Astrid: adoro quando vem me visitar... já tem trilha nova, pros amigos que gostam e me incentivam!!!! hehehe
ResponderExcluirbjossss
Danda: que bom saber disso!!! Grato pelo comentário, volte sempre que quiser. A casa é sua!!! :)))
ResponderExcluirbjo
Irapuan: seja muito bem vindo!!!! Qaunto à arte, é um template que levei muito tempo procurando... e a arte do cabeçalho foi criada no Photoshop. Pra ensinar teria que ser pessoalmente. rsrsrs
ResponderExcluirabraço
Clara, tem o link pro Facebook sim, embaixo da postagem. Ou basta copiar o link e colar lá no FB. Simples.
ResponderExcluirFique sempre à vontade pra compartilhar!!!
bjos
Grato Cibele!!!
ResponderExcluirGrande bjo pra vc tb!!!
Obrigada, querido!
ResponderExcluirBom dia Marcelo, lindo texto e muito verdadeiro, boa semana
ResponderExcluirBeijos
tão certo quanto aos nossos pecados confessos porque se pensarmos todos dizem respeito às lutas diárias, lembrei do video do Mário Sérgio Cortella "você sabe com quem está falando" quando ele diz que...
ResponderExcluir"Quem és tu ?
Tu és UM indivíduo entre 6 bilhões e 400 milhões de indivíduos
Compondo UMA única espécie
Entre outras 3 milhões de espécies já classificadas
Que vive em UM planetinha
Que gira em torno de UMA estrelinha
Que é uma entre outras 100 milhões de estrelas
Compondo UMA única galáxia
Entre outras 200 bilhões de galáxias
Em UM dos Universos possíveis..."
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...acho que ele ajuda a gente a perceber qual é o nosso lugar!
obrigada! bj!
Muito precioso este texto, pois realmente é assim que acontece, mas quando passamos a observador de si mesmo, identificamos quem esta no comando e aos poucos vamos despertando pra o que somos.
ResponderExcluirGostei da nova cara do blog, suave,
tenha uma feliz semana.Sou grata.
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