Voltei a ler um texto antigo sobre convivência e perdão que publiquei aqui no blog há muitos anos. Ele voltou a receber visitas, e percebi que ainda ecoa — talvez porque todos nós seguimos lidando com os desencontros do dia a dia: brigas familiares, palavras atravessadas, amizades rompidas, mágoas mal curadas.
Resolvi reescrever e atualizar a reflexão, 15 anos depois. Mantive a ideia central — estamos em constante construção —, mas acrescentei o que a experiência me ensinou: que perdão não anula responsabilidade, que consciência exige escolha.
Durante a vida, é inevitável: vamos causar transtornos. Às vezes sem querer, outras vezes porque ainda não sabemos fazer diferente. Falamos demais. Silenciamos na hora errada. Julgamos sem escutar. Ferimos quem amamos, com palavras impensadas ou com atitudes que não percebemos. E também somos feridos, tantas vezes, por quem esperávamos cuidado.
Somos todos obras em andamento. E uma obra é sempre um pouco caótica — faz sujeira, levanta poeira, assusta com barulho. É assim também o processo do despertar: tijolo a tijolo, vamos erguendo o templo da consciência. Às vezes conseguimos dar um passo com lucidez. Em outras, tropeçamos na sombra e nos machucamos — ou machucamos o outro.
Mas o outro também está em construção. E a convivência entre obras inacabadas nem sempre é fácil. Um gesto fora de hora, uma palavra ríspida, uma ausência no momento em que mais se precisava... e lá está o ruído, o mal-entendido, a ferida aberta.
Alguns transtornos são banais e se resolvem com uma conversa sincera. Outros revelam rachaduras mais profundas. Há dores que pedem silêncio e distanciamento. E há também aquelas que, mesmo sem reparo possível, podem ser curadas internamente — com perdão.
Mas aqui é importante lembrar: perdoar não é desculpar tudo, nem esquecer. É limpar a alma para seguir leve, sem carregar o que já não cabe. Perdão verdadeiro não anula a responsabilidade — ele a transcende, quando possível. E quando não for possível, o perdão pode ser apenas um gesto interior, solitário e necessário, para não deixar a dor virar prisão.
Todos erram. Eu erro. Você erra. Isso não nos torna ruins — apenas humanos. Mas nos torna também responsáveis pelas escolhas que fazemos a partir do que aprendemos.
Se em algum momento eu causei dor, julgamento, desconforto... se fui omisso ou ríspido, se falhei em acolher — que você saiba: estou em construção. Não como desculpa, mas como compromisso. Aprendendo a ser mais consciente. Tentando ser mais inteiro. E mais verdadeiro.
Posso cultivar boas intenções — e cultivo. Mas sei que isso não me isenta de errar. E justamente por isso, não posso viver com medo de tropeçar. Como ensinou um mestre budista, os erros, quando reconhecidos, são parte do caminho. São mestres disfarçados. O verdadeiro problema não é errar — é não aprender.
A regra de ouro segue valendo: não faça ao outro o que não gostaria que fizessem a você. Tudo o que vai, volta. Ninguém colhe flores raras plantando capim. Se quero colher beleza, verdade e paz, preciso ter mais inteligência sobre o que planto — nas palavras, nos gestos, nos pensamentos.
Sim, estou em construção. Mas isso não me isenta de olhar para os escombros que deixo pelo caminho. Porque despertar também é reparar. É reconhecer o que machuca e escolher plantar melhor — com mais ética, mais amor e mais consciência.
Caiu como uma luva no dia de hoje!
ResponderExcluirNossa! Adoro o seu blog e visito diariamente, sempre cai como uma luva!
ResponderExcluirParabéns! Beijos
Impressionante como eu precisava desta mensagem hoje!!! Visitar seu blog com suas mensagens tem me ajudado muito neste meu processo de construção, obrigada!!!
ResponderExcluirBeijo e muita luz em sua vida querido amigo! Um lindo fim de semana a vc!!
Eu amo você Marcelo!!!
ResponderExcluirLindo texto...
Largando tudo aquilo que não mais nos pertence e nos perdoando por ter dado tanta importância ao que nos machucou, ofendeu, etc...
Livres, leves e soltos...esse é o tom do dia!!!
Sinto-me assim...
Beijos
Astrid Annabelle
Descobri seu blog a poucos dias num dos momentos mais tempestuosos da minha vida, e vir aqui tem me ajudado a entender muitas coisas.
ResponderExcluirObrigada por existir!
Sinto muito
ResponderExcluirMe perdoe
Eu te amo
Sou grato.
Namastê.
Caro Marcelo, a autora é Anita Godoy
ResponderExcluirhttp://www.anitagodoy.com.br/
Adoro seu blog é as mandalas São inspiradoras ..São feitas em arte digital?
ResponderExcluirEsse texto é de autoria do professor Gabriel Chalita e foi publicado na revista Canção Nova a alguns anos.
ResponderExcluirO texto original pode ser encontrado em
http://www.gabrielchalita.com.br/index.php/component/k2/item/689-a-beleza-do-perdão.html
Lindo esse texto. Estou totalmente em construcao. Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele e o mais ele o fara.
ResponderExcluirPostar um comentário
Os comentários são o maior estímulo pra este trabalho. Obrigado!